Subtítulo: É possível contemplar as obras de Deus e ainda não conhecer o Deus das obras.
Publicado em 16/08/2026
Subtítulo: É possível contemplar as obras de Deus e ainda não conhecer o Deus das obras.
Texto base — Salmo 103:7
“Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel.”
Israel viu o impossível acontecer diante dos seus olhos.
Viu o Egito ser abalado pelas pragas. Viu a diferença que Deus fazia entre Seu povo e os egípcios. Viu o mar se abrir. Caminhou por terra seca onde, poucos momentos antes, havia apenas água.
Depois olhou para trás e viu aquilo que parecia invencível desaparecer diante de Deus.
Faraó não conseguiu detê-los.
O mar não conseguiu detê-los.
O deserto não conseguiu impedir que Deus os sustentasse.
Quando tiveram fome, caiu pão do céu.
Quando tiveram sede, água saiu da rocha.
Quando não sabiam para onde caminhar, uma nuvem os guiava durante o dia e uma coluna de fogo iluminava a noite.
Poucas gerações na história testemunharam tantas manifestações sobrenaturais.
E, ainda assim, reclamaram.
Duvidaram.
Temeram.
Desejaram voltar ao Egito.
Construíram um bezerro de ouro.
Como alguém pode ver tanto de Deus e ainda ter tanta dificuldade para confiar Nele?
O Salmo 103 nos dá uma pista:
“Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel.”
O povo conheceu os feitos.
Moisés começou a conhecer os caminhos.
Há uma diferença enorme entre as duas coisas.
Conhecer os feitos é saber o que Deus fez.
Conhecer os caminhos é começar a compreender quem Deus é.
O povo sabia que Deus podia abrir o mar, mas diante da próxima dificuldade voltava a perguntar se Ele seria capaz de cuidar deles.
Viram água sair da rocha, mas depois tiveram medo de faltar água novamente.
Comeram o maná de ontem, mas ainda estavam preocupados com o pão de amanhã.
Porque milagres podem impressionar nossos olhos sem necessariamente transformar nosso coração.
Podemos experimentar uma resposta de oração e, pouco tempo depois, voltar a viver dominados pela ansiedade.
Podemos testemunhar a provisão de Deus e continuar temendo o futuro.
Podemos contar histórias extraordinárias sobre aquilo que Ele fez no passado e continuar sem confiar Nele no presente.
O problema não está no milagre.
O problema está em onde paramos nosso olhar.
Quando enxergamos somente aquilo que Deus fez, podemos passar a procurar Deus apenas quando precisamos que Ele faça novamente.
Mas quando, através das obras, começamos a enxergar quem Ele é, algo muda dentro de nós.
O mar aberto deixa de ser apenas um milagre e passa a revelar:
Deus é fiel.
O maná deixa de ser apenas alimento e passa a revelar:
Deus é provedor.
A coluna de fogo deixa de ser apenas um fenômeno e passa a revelar:
Deus está presente.
A vitória sobre Faraó deixa de ser apenas libertação e passa a revelar:
Deus é poderoso para cumprir aquilo que prometeu.
É aqui que começamos a enxergar a glória.
A glória não está apenas no mar que se abre.
A glória está em perceber quem abriu o mar.
Não está apenas no pão que caiu do céu.
Está em conhecer o Pai que não abandonou Seus filhos no deserto.
Não está apenas na solução do problema.
Está na revelação do caráter de Deus dentro da solução.
Moisés começou a entender isso.
Por isso, depois de tantos milagres, ele não pediu simplesmente:
“Senhor, faz mais alguma coisa extraordinária.”
Ele pediu:
“Mostra-me a tua glória.”
Moisés já sabia o que Deus podia fazer.
Agora queria conhecer Deus mais profundamente.
E talvez aqui esteja um dos maiores perigos da nossa vida espiritual:
acostumarmo-nos com as obras de Deus sem continuarmos desejando o próprio Deus.
O extraordinário pode se tornar comum.
Israel acordava pela manhã e havia pão do céu espalhado pelo chão.
Imagine isso.
O sobrenatural havia se tornado parte da rotina.
E mesmo assim havia murmuração.
Isso nos mostra que nossa fé não pode depender de sermos constantemente impressionados.
Precisamos de algo mais profundo.
Precisamos conhecer o Senhor.
Porque aquele que conhece apenas os feitos de Deus precisará de um novo milagre para continuar crendo.
Mas aquele que começa a conhecer o caráter de Deus consegue permanecer quando ainda não há mar aberto, quando o maná ainda não caiu e quando a resposta ainda não chegou.
Ele consegue dizer:
“Eu ainda não sei o que Deus fará, mas já sei quem Deus é.”
Essa é uma fé que começa a enxergar a glória.
Você tem buscado conhecer Deus ou apenas experimentar aquilo que Ele pode fazer?
Quando uma oração é respondida, você contempla apenas a resposta ou procura enxergar o caráter de Deus revelado nela?
E quando o próximo problema aparece?
Seu coração se lembra de quem Deus é ou volta imediatamente ao medo?
Talvez você tenha muitos testemunhos das obras de Deus, mas o Senhor esteja hoje lhe convidando para algo mais profundo:
conhecer Seus caminhos.
Não viva de milagre em milagre.
Permita que cada obra de Deus leve você para mais perto do Deus que realizou a obra.
Porque o verdadeiro propósito do milagre não é apenas resolver alguma coisa diante de nós.
É também revelar Alguém a nós.
Senhor, abre meus olhos para que eu não veja apenas Tuas obras, mas reconheça Tua glória através delas.
Não quero Te buscar somente quando precisar de uma resposta.
Quero conhecer Teus caminhos.
Quando o Senhor me sustentar, quero conhecer o Deus que sustenta.
Quando o Senhor me proteger, quero conhecer o Deus que protege.
Quando abrir uma porta, quero enxergar Tua fidelidade.
E mesmo quando eu ainda não estiver vendo a solução, ajuda-me a descansar naquilo que já conheço sobre Ti.
Guarda meu coração da murmuração, da incredulidade e do esquecimento.
Que cada experiência contigo aumente minha fome pela Tua presença.
Eu não quero apenas aquilo que Tu podes fazer.
Eu quero Te conhecer.
Em nome de Jesus.
Amém.
O milagre mostra o que Deus pode fazer; a glória nos faz enxergar quem Deus é.