Pedro – Do Raso ao Profundo
Publicado em 22/02/2026
Texto base: João 21:9–17
O cheiro do carvão.
Pedro conhecia aquele cheiro.
Foi diante de um braseiro que ele negou Jesus.
No frio da noite.
No calor do medo.
Agora, novamente um braseiro.
Mas não há acusação.
Há peixe.
Há pão.
Há presença.
Jesus recria o cenário.
Não para humilhar.
Mas para restaurar.
O mesmo fogo que marcou a queda
agora marca a cura.
Depois da ressurreição, Pedro volta a pescar.
Talvez por culpa.
Talvez por vergonha.
Talvez por não saber como continuar.
E ali, à beira-mar, Jesus prepara o alimento.
Antes de confrontar, Ele alimenta.
Antes de corrigir, Ele acolhe.
Então vem a pergunta que atravessa a alma:
“Simão, filho de Jonas, tu me amas?”
No texto original, existem duas palavras diferentes para amor.
Jesus, nas duas primeiras vezes, usa a palavra ágape.
Ágape é o amor mais elevado.
É amor sacrificial.
É amor que se entrega até o fim.
É o amor que foi demonstrado na cruz.
Jesus está perguntando:
“Pedro, você me ama com amor total? Com entrega completa?”
Pedro responde usando outra palavra: phileo.
Phileo é amor de amizade.
É sincero.
É carinhoso.
Mas não é necessariamente sacrificial.
Pedro, depois de ter negado,
não ousa prometer o que não consegue sustentar.
Ele basicamente diz:
“Senhor, eu Te amo como amigo. Eu tenho afeição por Ti.”
Na terceira vez, Jesus muda a palavra.
Ele desce do ágape para o phileo.
Em outras palavras, Ele pergunta:
“Pedro, você me ama ao menos como amigo?”
E Pedro se entristece.
Não porque Jesus duvida.
Mas porque percebe que Jesus conhece sua limitação.
Jesus não exige de Pedro um amor que ele ainda não tem maturidade para viver.
Ele não diz:
“Volte quando alcançar o ágape.”
Ele diz:
“Apascenta as minhas ovelhas.”
Isso é graça madura.
Jesus encontra Pedro no phileo
para conduzi-lo ao ágape.
Ele não desiste por causa da limitação.
Ele trabalha a partir da sinceridade.
Três negações.
Três perguntas.
O mesmo número.
O mesmo homem.
Mas agora com consciência.
A restauração não termina em consolo.
Termina em responsabilidade.
“Cuida disso para mim.”
Depois de tratados em nossas limitações,
no escopo da nossa fé,
Ele nos confia algo.
Talvez seu amor ainda não seja perfeito.
Talvez sua fé ainda oscile.
Talvez você já tenha prometido mais do que conseguiu cumprir.
Mas Jesus não pergunta para expor.
Pergunta para restaurar.
Ele sabe até onde você consegue amar.
E mesmo assim diz:
“Cuida disso para mim.”
Senhor,
Tu conheces nossas limitações.
Sabes onde falhamos.
Sabes até onde nosso amor alcança.
Não desistas de nós.
Aperfeiçoa nosso amor.
Restaura-nos.
E depois nos envia.
Amém.
Hoje, seja sincero com Deus.
Não prometa o que não pode sustentar.
Apenas diga:
“Senhor, Tu sabes que eu Te amo.”
E permita que Ele transforme seu phileo
no ágape que sustenta missão.