PRELÚDIO DA SEMANA 23/03/2026

Pedro – Do Raso ao Profundo
Publicado em 22/02/2026

Há vidas na Bíblia que parecem estáveis.
E há vidas que parecem montanhas-russas.

Pedro é uma dessas.

Impulsivo.
Intenso.
Apaixonado.
Instável.
Corajoso em um momento.
Temeroso no outro.

Ele representa a humanidade.

Nem sempre estamos bem.
Nem sempre estamos firmes.
Nem sempre conseguimos sustentar o que prometemos.

Pedro anda sobre as águas… e afunda.
Declara que Jesus é o Cristo… e tenta impedir a cruz.
Promete fidelidade até a morte… e nega três vezes.
Vê a glória no monte… e chora no pátio.

Ele é profundo e raso ao mesmo tempo.

E talvez por isso seja tão próximo de nós.

Tudo começa com um convite simples e confrontador:

“Faze-te ao largo.”

Jesus chama Pedro para sair da margem.
Sair da zona de controle.
Ir além da experiência natural.

No raso, os pés ainda tocam o chão.
No profundo, dependemos completamente d’Ele.

Pedro foi ao profundo.

Lá, viu o sobrenatural.
E o sobrenatural o deixou nu.
Ele reconheceu sua própria condição:

“Sou pecador.”

O profundo revela poder.
Mas também revela quem somos.

Depois veio a revelação:

“Tu és o Cristo.”

E quando Pedro reconhece quem Jesus é,
Jesus revela quem Pedro pode ser.

Rocha.

Mas a jornada não para na revelação.

Há monte.
Há transfiguração.
Há momentos em que dizemos:

“É bom estarmos aqui.”

Mas também há pátio.
Há braseiro.
Há o canto do galo.

Há queda.

Pedro aprende que intimidade não elimina fragilidade.
Que experiência espiritual não substitui maturidade.
Que amor sincero ainda pode ser imaturo.

E então, à beira-mar, diante de outro braseiro,
Jesus não acusa.

Pergunta.

“Tu me amas?”

Ele não desiste de Pedro.
Desce ao nível de sua limitação.
Restaura.
E envia.

Porque restauração não termina em consolo.
Termina em missão.

E finalmente, em Atos 2, algo extraordinário acontece:

Em Lucas 5, Pedro foi ao profundo.
Em Atos 2, o profundo veio sobre Pedro.

O Espírito desce.
O instável se torna coluna.
O que negou agora proclama.
O que chorou agora prega.

O homem não deixou de ser humano.
Mas agora está habitado.

Nesta semana, vamos percorrer essa jornada:

Do raso ao profundo.
Da experiência à revelação.
Da glória à queda.
Da culpa à restauração.
Da restauração ao derramamento.

Porque o Cristo que nos chama ao largo
já habita no profundo.

E quando aceitamos o convite,
descobrimos que o maior presente
não é apenas mergulhar em Deus —

é quando Deus mergulha em nós.

Prepare o coração.

Há águas profundas nos esperando.

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