Pedro – Do Raso ao Profundo
Publicado em 22/02/2026
Há vidas na Bíblia que parecem estáveis.
E há vidas que parecem montanhas-russas.
Pedro é uma dessas.
Impulsivo.
Intenso.
Apaixonado.
Instável.
Corajoso em um momento.
Temeroso no outro.
Ele representa a humanidade.
Nem sempre estamos bem.
Nem sempre estamos firmes.
Nem sempre conseguimos sustentar o que prometemos.
Pedro anda sobre as águas… e afunda.
Declara que Jesus é o Cristo… e tenta impedir a cruz.
Promete fidelidade até a morte… e nega três vezes.
Vê a glória no monte… e chora no pátio.
Ele é profundo e raso ao mesmo tempo.
E talvez por isso seja tão próximo de nós.
Tudo começa com um convite simples e confrontador:
“Faze-te ao largo.”
Jesus chama Pedro para sair da margem.
Sair da zona de controle.
Ir além da experiência natural.
No raso, os pés ainda tocam o chão.
No profundo, dependemos completamente d’Ele.
Pedro foi ao profundo.
Lá, viu o sobrenatural.
E o sobrenatural o deixou nu.
Ele reconheceu sua própria condição:
“Sou pecador.”
O profundo revela poder.
Mas também revela quem somos.
Depois veio a revelação:
“Tu és o Cristo.”
E quando Pedro reconhece quem Jesus é,
Jesus revela quem Pedro pode ser.
Rocha.
Mas a jornada não para na revelação.
Há monte.
Há transfiguração.
Há momentos em que dizemos:
“É bom estarmos aqui.”
Mas também há pátio.
Há braseiro.
Há o canto do galo.
Há queda.
Pedro aprende que intimidade não elimina fragilidade.
Que experiência espiritual não substitui maturidade.
Que amor sincero ainda pode ser imaturo.
E então, à beira-mar, diante de outro braseiro,
Jesus não acusa.
Pergunta.
“Tu me amas?”
Ele não desiste de Pedro.
Desce ao nível de sua limitação.
Restaura.
E envia.
Porque restauração não termina em consolo.
Termina em missão.
E finalmente, em Atos 2, algo extraordinário acontece:
Em Lucas 5, Pedro foi ao profundo.
Em Atos 2, o profundo veio sobre Pedro.
O Espírito desce.
O instável se torna coluna.
O que negou agora proclama.
O que chorou agora prega.
O homem não deixou de ser humano.
Mas agora está habitado.
Nesta semana, vamos percorrer essa jornada:
Do raso ao profundo.
Da experiência à revelação.
Da glória à queda.
Da culpa à restauração.
Da restauração ao derramamento.
Porque o Cristo que nos chama ao largo
já habita no profundo.
E quando aceitamos o convite,
descobrimos que o maior presente
não é apenas mergulhar em Deus —
é quando Deus mergulha em nós.
Prepare o coração.
Há águas profundas nos esperando.